Primeiro de dois duelos de preparação da Equipa das Quinas
A Seleção Feminina A perdeu por 2-1 esta sexta-feira, frente aos Países Baixos, num encontro que serve para preparar a qualificação do Mundial de 2027, cujo arranque está previsto para março de 2026. Embora o resultado não tenha sido o desejado, o jogo proporcionou à equipa orientada por Francisco Neto a oportunidade de avaliar rotinas, testar novas combinações e ajustar princípios de jogo, num contexto competitivo altamente exigente e relevante para a construção do grupo que enfrentará o próximoapuramento 'mundialista'.
A preparação da Equipa das Quinas prossegue na próxima terça-feira, com Portugal a receber o Brasil no Estádio Municipal de Aveiro, às 19h45. Um desafio que promete um novo teste de qualidade e oferecerá à equipa portuguesa mais uma oportunidade para afirmar o seu crescimento e ambição rumo ao Mundial de 2027.
FICHA DE JOGO E PRINCIPAIS INCIDÊNCIAS
Neerlandesas marcaram primeiro
O jogo arrancou em Braga com os Países Baixos a assumirem a posse, embora Portugal tenha sido a primeira equipa a criar perigo. Logo aos quatro minutos, Catarina Amado descobriu Telma Encarnação com um passe de rutura, mas a guarda-redes Lize Kop segurou o remate da avançada. O público vibrou novamente aos oito minutos, quando Kika Nazareth tirou uma adversária do caminho com uma finta brilhante, arrancando aplausos das bancadas.

Portugal tentou incomodar com mais remates, de Catarina Amado (13’) e Tatiana Pinto (20’), embora sem direção suficiente para inaugurar o marcador. Apesar desses remates lusos, o ascendente neerlandês na posse começou a notar-se e a resposta foi contundente. Entre os 21 e os 23 minutos, os Países Baixos fizeram dois golos em sequência: primeiro, Chasity Grant finalizou um cruzamento de Romée Leuchter, surgindo completamente solta na área; depois, após lançamento lateral, um ressalto dentro da área deixou Lynn Wilms isolada para ampliar a vantagem.
Redução para 1-2 e novo ânimo para Portugal
A pior notícia para as Navegadoras chegou aos 36 minutos: Kika Nazareth ficou no relvado com muitas queixas e acabou por abandonar o campo em lágrimas, deixando o estádio em silêncio. Quando o ambiente estava mais carregado pela saída da criativa do Barcelona, surgiu o momento que reacendeu o jogo: Andreia Faria atacou a zona de finalização com convicção e cabeceou de forma perfeita, após cruzamento teleguiado de Beatriz Fonseca.

O golo teve impacto imediato no ambiente do Estádio Municipal de Braga. As bancadas animaram-se, a Seleção Nacional ganhou nova energia e o ritmo do jogo mudou visivelmente. A equipa portuguesa encontrou na redução da desvantagem a força para se reorganizar e voltar a pressionar as neerlandesas, deixando claro que o jogo estava longe de estar decidido.
Segundo tempo intenso
A segunda parte começou com Portugal a tentar manter o dinamismo com que terminou os primeiros 45 minutos. Logo aos 48’, Telma Encarnação voltou a estar perto do golo, rematando ao lado após um cruzamento de Tatiana Pinto. As Navegadoras mantiveram a pressão e, aos 54’, a avançada voltou a criar perigo num arranque até à área, mas o remate acabou por esbarrar numa defesa neerlandesa. Aos 57’, Portugal esteve muito perto de reduzir novamente: Telma Encarnação ganhou posição na área e obrigou Lize Kop a uma defesa de enorme dificuldade, desviando para canto.

O encontro ganhou novo fôlego aos 60 minutos com uma vaga de substituições. Do lado português, entraram Fátima Pinto, Lúcia Alves e Jéssica Silva, saindo Tatiana Pinto (com queixas físicas), Beatriz Fonseca e Telma Encarnação. Os Países Baixos responderam com quatro mudanças simultâneas, renovando por completo vários setores da equipa. As neerlandesas voltaram a criar perigo sobretudo em lances de bola parada. Entre os 65’ e os 69’, Romée Leuchter teve dois livres diretos perigosos: no primeiro, obrigou Patrícia Morais a um voo impressionante e, no segundo, atirou por cima. Portugal também tentou responder, com Lúcia Alves a rematar de fora da área e a bola a passar perto do poste.
Cancelinha em estreia e reorganização tática
Por volta dos 78 minutos, Portugal voltou a aproximar-se da área adversária, conquistando um pontapé de canto e mantendo a pressão ofensiva. Pouco depois, aos 79’, os Países Baixos viram Romée Leuchter ser apanhada em fora de jogo, num momento que deu algum alívio à defesa portuguesa.
Foi então que chegaram duas substituições importantes para a equipa de Francisco Neto. Carolina Santiago entrou para o lugar de Ana Capeta, mas o destaque maior foi a entrada de Érica Cancelinha, que substituiu Andreia Faria, assinando assim a sua estreia absoluta pela Seleção Nacional A.

Aos 80 minutos, com a estreia de Cancelinha e a necessidade de reforçar a solidez defensiva para os minutos finais, Francisco Neto optou por um novo esquema tático com três centrais: Érica Cancelinha, Diana Gomes e Carole Costa formaram a linha defensiva, dando maior estabilidade e largura atrás. Após a reorganização tática, Portugal manteve o ímpeto ofensivo. Aos 81 minutos, Andreia Jacinto tentou surpreender com um remate “do meio da rua”, mas a bola saiu muito ao lado, ainda assim demonstrando a intenção portuguesa de procurar o golo do empate. Pouco depois, a Equipa das Quinas ganhou um pontapé livre, continuando a instalar-se no meio-campo neerlandês e a empurrar as adversárias para trás.
A pressão portuguesa obrigou os Países Baixos a mexerem novamente na equipa e, na reta final, Portugal esteve várias vezes perto da área adversária, mostrando ambição e capacidade de reação, reforçando a sensação de que estava tudo em aberto até aos últimos instantes.
